★★★★ “Adoráveis Mulheres” – Irmãs unidas pelo amor

O filme é uma nova adaptação de um clássico literário de mais de 150 anos, com Emma Watson, Saoirse Ronan, Eliza Scanlen e Florence Pugh.

A grande maioria das obras literárias só são consideradas clássicas, quando elas apresentam qualidade atemporal, ou seja, tanto na época em que foi concebida, quanto nos dias atuais, eles conseguem ter a mesma força de antes, como é o caso do livro “Adoráveis Mulheres”, de Louisa May Alcott, lançado a mais de 150 anos atrás, sobre quatro irmãs que lutam para permanecerem unidas, em momento de guerra civil, que ganhou mais uma adaptação para o cinema.

Faz 25 anos que Winona Ryder interpretou Jo March e mais 61 desde que Katharine Hepburn assumiu o papel de George Cukor (as versões anteriores da tela estavam em silêncio). Agora, a diretora Greta Gerwig identificou que é o momento mais oportuno para tirar o pó do romance de Louisa para uma nova interpretação.

As protagonistas mias notáveis de “Adoráveis Mulheres”. Foto: Reprodução


Como se poderia esperar, a nova adaptação de “Adoráveis Mulheres” se ajusta ao material, mantendo o período original e estabelecendo e montando um elenco de sonhos para interpretar as irmãs – Emma Watson como irmã mais velha, Meg, professora; Saoirse Ronan como Jo, a escritora; Eliza Scanlen como Beth, a musical; e Florence Pugh como Amy, impulsiva e a artista da família – e, em Timothée Chalamet, o ator perfeito para encarnar o garoto de cabelos encaracolados do lado, Laurie.

Emma Watson, Saoirse Ronan, Eliza Scanlen e Florence Pugh em “Adoráveis Mulheres”. Foto: Copyright Sony Pictures

A ironia de “Adoráveis Mulheres” – à luz do título, que é como Mr. March (Bob Odenkirk), que foi para a guerra e deixou sua esposa e filhos para se defenderem, refere-se com carinho às filhas – é que é não necessariamente para pequenas audiências. A versão atual pode conversar melhor com adultos, especialmente aqueles que consideram os filmes tradicionais muito indecentes e imorais, pois ele é exatamente o oposto: uma história saudável de generosidade e boas maneiras, que irmãs de personalidades completamente distintas permanecem unidas pelo amor, onde atos maliciosos ocorrem ocasionalmente (como quando Amy destrói o romance de Jo), mas não com a mesma frequência de atos de caridade (como no momento em que as garotas oferecem jantar de Natal para uma família faminta no caminho).

O enredo de “Adoráveis Mulheres” pode ser considerada atual, pois mesmo tento se passado mais de 150 anos, as mulheres em nossa sociedade ainda são vistas como “sexo frágil”, e em seu romance Louisa criou personagens tão animados – o público certamente pode se identificar com alguma das irmãs -, que as imaginou como jovens senhoras de mentalidade independente, apesar de sua falta de riqueza, livres para perseguir sua própria felicidade em um mundo onde as mulheres de sua posição costumavam confiar nas fortunas de seus noivos ou em uma herança generosa para sustentar seus futuros.

No início de sua própria adaptação, Greta se concentra na função prática que o matrimônio desempenha na história – calculada mais para o público do que para o benefício dos personagens – colocando a explicação na boca do editor de Jo, Sr. Dashwood (Tracy Letts): “Se o personagem principal for uma garota, verifique se ela se casou até o final”.

No filme, Jo começou a escrever contos ao gosto das massas, disparadas apenas para ajudar no sustento da casa, que enviava à Marmee (interpretada por Laura Dern), a voz da maturidade em uma família propensa a ciúmes mesquinhos. Ela é sábia além das palavras –  suas palavras são de longe as melhores do filme. 

Saoirse Ronan (Jo March) em “Adoráveis Mulheres”. Foto: Jo March

Apesar desses altos e baixos emocionais, o roteiro de “Adoráveis Mulheres” apresenta um lado cômico. Ele consegue enfatizar o humor leve trazido por Meryl Streep como a rica tia March, que planeja convidar uma das filhas para acompanhá-la na Europa, enquanto pressiona as quatro para que se casem bem. Mas enquanto tia March representa a noção antiquada do lugar de uma jovem na sociedade, Marmee incentiva suas meninas a escolher seus próprios caminhos. Para Jo, isso significa transformar a história da família em um livro, o que cria duas sequências originais nas quais a protagonista se torna um substituto para a própria Louisa: a diretora Greta Gerwig dramatiza uma cena na qual Jo negocia os termos para a publicação de “ Little Women” (no original) com Dashwood.

Florence Pugh (Amy March) e Meryl Streep (Tia March) em “Adoráveis Mulheres”. Foto: Copyright Sony Pictures

Saoirse Ronan consegue entregar Jo, sua personagem, de forma segura e encantadora que parece pertencer àquela época. Emma Watson, diferente de seus últimos filmes, interpreta Meg como a irmã que mais sabe o que ela quer, o que faz com que a escolha do personagem pareça menos comprometida. Florence Pugh tem a parte complicada, já que muitos acham a personalidade de Amy desanimadora, enquanto ela torna possível entender as dificuldades de viver na sombra de sua irmã.

Em termos de logística pura, “Adoráveis Mulheres” marca um grande passo em frente para a diretora Greta Gerwig, que mostra aptidão para futuros projetos de estúdio sem sacrificar sua voz distinta na direção. 

No final, esta versão mais recente não precisa aguentar 60 anos. Podemos dizer que é aceitável que ela funcione hoje. É uma vantagem se os jovens ainda o assistirem sempre que alguém decidir refazê-lo para a próxima geração, afinal, nossa sociedade tem se mudando tanto atualmente, que as produções nas telonas, diferente dos livros, tem de se moldar para conquistar seus espectadores. Que venham mais adaptações como essa, pois faz lembrar que o cinema de qualidade ainda existe.

Cena de “Adoráveis Mulheres”. Foto: Copyright Wilson Webb

“Adoráveis Mulheres”

Classificação: ★★★★ Muito Bom!

Data de Lançamento: 9 de janeiro de 2020 (2h15min)
Direção: Greta Gerwig
Elenco: Saoirse Ronan, Emma Watson, Florence Pugh
Gênero: Romance, Drama
Nacionalidade EUA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *